Nascendo do fulgor solar.
Abrigou-se na terra-mãe,
Oblíquos olhos de esverdeado contorno.
Olhar de eclipse,
Desejando fazer da lua a protagonista,
Arrebatando a ostentação solar,
Entrepondo-se no brilho da esperança terrestre.
E assim satura a marca da divindade de delicado afeto.
Sem importar seu sexo, à forma de mulher se destinou
E desse feminino divino fora deslizando encanto na terra
Em formas fascinantes, de agitações absorvedoras
Buscou o infinito do equilíbrio.
Buscou o infinito do equilíbrio.
Saltos de sapateio fino
Andar de quatro
compassos.
O eco do sistro a mover o corpo.
Movimentos dançarinos que calmamente seduzem,
Garras atraentes, sucumbindo à delicadeza selvagem.
E mesmo com todas essas fascinações,
É no olhar instigado pelo eclipse, onde todos arruínam-se.
Embalados pelo cristalino são arrebatados pela maré.
Afogam-se facilmente,
Nesse tempestuoso olhar ruem verdades
Que antes derramavam concreto em um túmulo para a alma.
Verdades fixas, que não se multiplicam,
Nem se movem,
E nunca caçam a metamorfose da liberdade.
