domingo, novembro 20, 2011

o ser que me habita.


Bastet.

Nascendo do fulgor solar.
Abrigou-se na terra-mãe,
Oblíquos olhos de esverdeado contorno.
Olhar de eclipse,
Desejando fazer da lua a protagonista,
Arrebatando a ostentação solar,
Entrepondo-se no brilho da esperança terrestre.
E assim satura a marca da divindade de delicado afeto.
Sem importar seu sexo, à forma de mulher se destinou
E desse feminino divino fora deslizando encanto na terra
Em formas fascinantes, de agitações absorvedoras
Buscou o infinito do equilíbrio.
Saltos de sapateio fino
Andar de quatro compassos.
O eco do sistro a mover o corpo.
Movimentos dançarinos que calmamente seduzem,
Garras atraentes, sucumbindo à delicadeza selvagem.
E mesmo com todas essas fascinações,
É no olhar instigado pelo eclipse, onde todos arruínam-se.
Embalados pelo cristalino são arrebatados pela maré.
Afogam-se facilmente,
Nesse tempestuoso olhar ruem verdades
Que antes derramavam concreto em um túmulo para a alma.
Verdades fixas, que não se multiplicam,
Nem se movem,
E nunca caçam a metamorfose da liberdade.

quarta-feira, novembro 16, 2011

a flutuante e sua falta de sentido.

a abelha posta por Aline Zeller e suas reflexões existenciais.

Definitivamente não tenho um lar, eu não quero estar aqui, também não há vontade de voltar, e não me instiga pensar se um dia eu vou querer algum lugar. A fórmula é livrar-se do peso dos "deveres", e buscar a leveza da liberdade. Não me preocupo com a dúvida que causo, posto que delicada redoma seja a vida -sem proteção alguma. É adorno?
De novo o que falo,
Não traz sentido,
Corre sozinho,               
Acha amante,
                    Mas de fato nunca é preso àquele aparato cuidadoso de rima fina.

Antes buscava um voo calmo, cuidava para entrar nos poros, em seguida vinha o tédio.
O tédio do que não se move, do que pesa da beleza enrustida.
E mesmo com o meu sorriso cálido, nada era mais interessante do que permanecer neste voo constante. Cansativo é esse caminho, porém qual a graça de escolher um lugar onde enterrar as raízes?
Com o horizonte a minha frente no caminho utópico, pensando em estrelas, sonhando com atos.
 Prefiro estar ficar com essas raízes flutuantes, mesmo que me falte sustento.