segunda-feira, agosto 29, 2011

o que me percorre.


Atendendo desesperadamente ao meu chamado!
 Sem pensar na minha consciência, eu na verdade não ajuízo. 
Sinto. 
Sinto o meu corpo integrando-se.
 O que as pontas dos meus dedos percebem eu SINTO, e essas partes de mim abstraem e raciocinam por si só, elas independem funcionalmente; elas se completam orquestralmente.
Dentro persiste a multiplicidade, o que faz florescer as  minhas vias de ser. 
Todos os caminhos elegidos até neste momento, eles todos parecem preenchidos de marcas
 e permanecem obscuros, 
 me parece que minha saída é confiar naquela cor forte, quente e doce que eu vi quando imaginava 
começar a  percorrer esses... 
...caminhos.



Para além do T(r)emor.

Depois de um olhar inesperado surge-me o convite tentador. Nostálgico, um resgaste puro no contemplar. Meus primeiros passos nesses instantes ansiavam pelo contato íntimo com o chão, eles cobiçavam sentir a acomodação da pele com o terreno. Num instante eu me encontrava no alto, sem medo, sem t(r)emor. Percebi a real intenção do meu corpo, era visível e invisível o palpitar. De súbito senti um desejo incontrolável em sentir-me parte daquela árvore, não queria retirar dela o que vejo de mim, e sim sentir ela em mim. Os tons rosas avermelhados me cegaram com o reflexo do sol que batia em seus frutos. Alucinei. Em uma atitude delicada e instintiva me lancei ao fruto apenas com os lábios. Macio, doce, quente, azedo, suave, delicado, sussurrado. Ao olhar para minhas mãos vermelhas e meus pés descalços, compreendi que nesse dia um tanto em mim se movera com um contorno diferente, simplesmente dançou e reverberou para além de mim.


Ashes to Ashes... para encontrar o que me move nesse tempo e espaço.

sexta-feira, agosto 26, 2011

De início o silêncio.

Inquieta, posto que não escuto. Assombra, inunda uma ânsia de não cessar as vozes!
Só eu sei como aprendo com o silêncio. É experiência rica ou mal-estar ou angustia ou muitos outros, isso cabe a cada um eleger.
É incongruente, gira em torno do que o homem crê que entende. Afinal existe silêncio radicalmente concebido, absoluto?
Por mais que o silêncio venha de uma invenção que tenta designar uma privação, existem movimentos que sentimos que já são escutados, sentimos o bater do coração apressado e nesse sentir eu ouço, mesmo que me excluam a audição, existe um todo que me percorre e une cada parte do meu corpo! A respiração do outro, quente e vibrante, ela pulsa e sussurra pra mim!
Mesmo que cessem as vozes para mim, elas continuam a entoar o canto gritado que percorre a vida, e nem mesmo a morte é silêncio, ela ecoa pelo tempo!