domingo, julho 08, 2012

Grupo e experiência.

Wassily Kandinsky. Small Pleasures. 1913.

Durante o semestre, com as leituras que realizamos, percebi o quanto me modifiquei não só enquanto graduanda, mas também pude transgredir os meus limites enquanto pessoa potente. Um relatório sobre as minhas experiências durante esses meses, não comportaria todas as sensações que fui acometida. Provocou em mim um movimento de expansão nas minhas relações. Lembro-me da leitura de Mil plâtos 5, e como para mim ficou bem evidente o quanto toda a leitura e o estágio em si, afetava minha vida inteira. Cada encontro fora sempre inusitado, as discussões já não cabiam naquela dita “ impessoalidade” que nos condicionam a ter, cada encontro foi quebrando mais essa impessoalidade e comecei a me implicar nos assuntos discutidos. Medir o que me foi proporcionado durante esses encontros, seria um erro. Não existe métrica para isso. Não existe forma de descrever. O que existe é o meu corpo evidentemente afetado por uma forma de encarar a vida, onde passei a buscar o mínimo de ressentimento possível, busquei deixar toda minha vida um leque de opções, as mais vastas possíveis. Cabe agora uma prosa poética que escrevi durante todo esse processo, confusa, mas que tenta englobar as minhas reflexões pessoais sobre o que senti me atravessar.

Nascente fraca percorre o meu início, faz um tango com o vento que enseja essa convulsão. Fantasmas que saem do meu inconsciente, porque são sempre interpretados como se fossem lendas, como se fossem lugares comuns que traem o um instinto. Não sou eu que vejo assim, são os outros que escolhem me enxergar assim. Já eu sinto que pelo contrário, eu sou parte de sentimentos fluxos e esses saem das minhas veias e expelem para o mundo, pruduzindo uma correnteza que inunda minha percepção . Não segue um curso fixo, ramifica-se interminavelmente e não encontra oceano profundo que comporte um local controlado, na verdade sustenta aquela solidão do fundo do mar. Emudeço e tenho um alento. Assim, encontro um terreno, um litoral. Cada linha que percorre a minha pele fora feita para se encontrar com a terra. E mesmo nos terrenos mais densos e não receptíveis encontra-se um jeito de tocá-los de forma sútil, sem atritos. Não há cortes e feridas de outros tempos, de outros solos, pois  me depararei com a necessidade experimentar sempre. Corpo que se estende por entre os caminhos que tomei, como galhos inalcançáveis que beijam o céu.  O chão sente e fala, o pé entende e afaga. Notando a vivência de um diálogo afável, antes tão temida, os medos e o perigo incitado neste encontro, já não me calam. E agora que falta o ar?!Acho que devo tentar subir e entre as brumas recuperar o oxigênio. Soluço. Paro. Ser um soluço é existir e não poder agir. Dentro permanece o desconforto do impalpável, com a memória sendo desafiada, querendo provar ser futuro. Provoca. Inunda o corpo que luta contra qualquer soluço, queimando as reticências deixadas. A frase que parou no ar úmido carregada na respiração cálida, já não ecoa . Assim caem líquidas esperanças, porém, alimenta e faz brotar o novo. O soluço adota o passado, importa um presente que o transforma, trazendo a guerra por um motivo: ser um GRITO!


Relatório final para o Estágio Básico- Trabalho com grupos II, curso de Psicologia da Unesp de Assis.

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