Wassily Kandinsky. Small Pleasures. 1913.
Durante o semestre, com as
leituras que realizamos, percebi o quanto me modifiquei não só enquanto
graduanda, mas também pude transgredir os meus limites enquanto pessoa potente.
Um relatório sobre as minhas experiências durante esses meses, não comportaria
todas as sensações que fui acometida. Provocou em mim um movimento de
expansão nas minhas relações. Lembro-me da leitura de Mil plâtos 5, e como para
mim ficou bem evidente o quanto toda a leitura e o estágio em si, afetava minha
vida inteira. Cada encontro fora sempre inusitado, as discussões já não cabiam
naquela dita “ impessoalidade” que nos condicionam a ter, cada encontro foi
quebrando mais essa impessoalidade e comecei a me implicar nos assuntos
discutidos. Medir o que me foi proporcionado durante esses encontros, seria um
erro. Não existe métrica para isso. Não existe forma de descrever. O que existe
é o meu corpo evidentemente afetado por uma forma de encarar a vida, onde
passei a buscar o mínimo de ressentimento possível, busquei deixar toda minha
vida um leque de opções, as mais vastas possíveis. Cabe agora uma prosa poética
que escrevi durante todo esse processo, confusa, mas que tenta englobar as
minhas reflexões pessoais sobre o que senti me atravessar.
Nascente fraca percorre o meu início, faz um
tango com o vento que enseja essa convulsão. Fantasmas que saem do meu
inconsciente, porque são sempre interpretados como se fossem lendas, como se
fossem lugares comuns que traem o um instinto. Não sou eu que vejo assim, são
os outros que escolhem me enxergar assim. Já eu sinto que pelo contrário, eu sou
parte de sentimentos fluxos e esses saem das minhas veias e expelem para o
mundo, pruduzindo uma correnteza que inunda minha percepção . Não segue um
curso fixo, ramifica-se interminavelmente e não encontra oceano profundo que
comporte um local controlado, na verdade sustenta aquela solidão do fundo do
mar. Emudeço e tenho um alento. Assim, encontro um terreno, um litoral. Cada
linha que percorre a minha pele fora feita para se encontrar com a terra. E
mesmo nos terrenos mais densos e não receptíveis encontra-se um jeito de
tocá-los de forma sútil, sem atritos. Não há cortes e feridas de outros tempos,
de outros solos, pois me depararei com a
necessidade experimentar sempre. Corpo que se estende por entre os caminhos que
tomei, como galhos inalcançáveis que beijam o céu. O chão sente e fala, o pé entende e afaga.
Notando a vivência de um diálogo afável, antes tão temida, os medos e o perigo
incitado neste encontro, já não me calam. E agora que falta o ar?!Acho que devo
tentar subir e entre as brumas recuperar o oxigênio. Soluço. Paro. Ser um
soluço é existir e não poder agir. Dentro permanece o desconforto do
impalpável, com a memória sendo desafiada, querendo provar ser futuro. Provoca.
Inunda o corpo que luta contra qualquer soluço, queimando as reticências
deixadas. A frase que parou no ar úmido carregada na respiração cálida, já não
ecoa . Assim caem líquidas esperanças, porém, alimenta e faz brotar o novo. O
soluço adota o passado, importa um presente que o transforma, trazendo a guerra
por um motivo: ser um GRITO!
Relatório final para o Estágio Básico- Trabalho com grupos II, curso de Psicologia da Unesp de Assis.
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