Fria e pálida, ela carrega um andar apressado. Parte sem
descanso em busca de um corpo disposto a desatar sua falta de excesso, afeto e apreço. Busca que precede um interesse único, tentar compor a música
que lhe convém e arriscar deixar o seu redor siga conforme a
melodia rígida e triste. Tive medo quando a vi, lembro-me dos avisos de uma nômade. Tento seguir seus conselhos. Busco fugir do ritmo, uso a sonoridade da minha vida,
uma arte complexa e intensa. Inundo a música feita sob medida e como uma
dinamite passo a explodir em sensações e vontades, tento contaminar essa explosão nos outros,
que também se aprisionaram na congelada fortaleza solitária que essa rainha fria se encontra. No final vejo os olhos de rainha da noite sem trégua, afogados
em ilusões de uma sobrevida, que tenta ganhar glórias nas conquistas de amores
outrora vividos intensamente e rapidamente por aquela que deflagrou seus
encantos medíocres. Oh rainha, antes pudesse me aprisionar em seus cantos de
perdição, para cegar-me ao tomar as cores de minha vida, pois eu tenho uma
força que flui serena, mais que permanece intensa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário