sábado, outubro 27, 2012

Arcos que enfeitam os desejos II : O começo que pode ser esse dentre muitos.


Trato aqui dos começos que por se chamarem começos é melhor serem colocados no meio. Não sei o motivo, mas sinto que assim eles serão começos sem origem, sem uma raiz do esperado, do comum. Também penso que deslocando o começo para o meio, o entre sempre pode ser um ativador de prováveis viveres. O começo para os arcos, nesse momento, me parecia remeter a própria descrição da arquitetura. Duas bases fixas no solo e o dentre pairando no ar, formando uma passagem. Os arcos partem dos alicerces inesgotáveis, como o social e o mundo e a vida e a natureza e tudo. Esses alicerces podem ser tudo o que for crível de se imaginar constituidor -  concreto e abstrato. Os alicerces foram construídos antes mesmo de existirmos enquanto um corpo. Contudo, há de se ter cuidado para não se acomodar e dançar conforme o ritmo destes alicerces já postos, como uma lista de modos de existir, aceitos e não aceitos por esses alicerces. O problema é como retirar as fundações já dadas? Se quebro  a base,  tudo desmorona. [...]
Agora, o começo do desejo. De onde vem esse desejo que é enfeitado por arcos?! Calma, não acho que essa pergunta seja a mais pertinente, talvez perguntar, como ele se fez desejo? Quais trilhas ele andou? Não sei. Penso em tantas que teria que escolher e a própria escolha já é preferir. No caso eu não quero preferir nenhuma das trilhas que pensei. Com isso, poderei pensar todos os dias  em uma trilha que listei e  talvez apareçam outras trilhas que eu nunca havia pensado. Prefiro não dar um ínicio para o desejo.

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