quarta-feira, novembro 28, 2012

Another Earth, another life!

Another Earth, pra mim um filme que borbulhou intensamente no mergulho do querer uma nova vida,  do mudar e do transformar.



-Já sonhou que tua imagem refletida ganhou vida?
-Ah, nem preciso sonhar, quando olho no espelho,  penso de imediato que não sou eu.
-Tudo bem, mas você é a imagem do espelho.
-Não, eu sou carne, osso, é corpo. Não sou uma imagem refletida em um objeto.
-Eu, já penso que o espelho é parte do seu corpo, uma extensão do que você imagina de você mesmo miscigenado a todo mapeamento de conhecimento de seu próprio corpo.E quanto mais desconhecido, esse território corporal, menos reconhecimento de si na imagem.

Em nome de narcisos, caí-se nos interpretacionismos de quer encontrar somente o bom e o belo em nós. A história que aquele corpo conta, nas cicatrizes, marcas de expressão daquela risada, manchas do sol daquele verão na praia, a vista cansada de ler o livro deitada na rede ao anoitecer, os pés calejados do samba que corre a noite inteira. Sinto falta de saber da história desse corpo, às vezes esqueço-me de perguntar a ele, crio raízes profundas no que tenho que esconder ou mostrar, no que causa melhor impressão ou não e sofro em saber que o real não condiz com o que sonho. Se quando me vejo no espelho tenho revelada a imagem impregnada das minhas expectativas e desejos, tenho vontade de ser vista de fora de mim. Desejo que se descolasse a minha visão para que consiga ver a mim, fora do meu corpo/pensamento. Se fosse assim, então como seria? Poderia agradar ver a mim mesma, talvez eu me apaixonasse pela beleza ou então eu ficaria com horror em perceber o quão distante do que eu vejo, eu sou(?). A ideia que fazia de mim mesma seria sepultada anonimamente e veria meus defeitos, manias, cicatrizes e gestos, todos incomodando, tudo aquilo que eu quero esconder. Pensamento pobre esse de comparar o real ao imaginário, aos sonhos, delírios de nós mesmos, afinal toda imagem produz infinitos reais incomparáveis. O grande êxtase seria o encontro com outro de mim, não um descolar-se meu.  Um outro eu que é aquele que eu deixei de ser em alguma escolha que não fiz. Todos os dias fazemos inúmeras escolhas, dentre vários caminhos escolhemos um. Esse outro poderia ser aquela menina de 18 anos que escolheu viajar ao invés de fazer graduação. Essa outra fez outras escolhas produzindo outras de mim que optaram por aquilo que ela não optou. São parecidas em desejos e anseios, mas completamente diferentes em sua coragem. Imagino como seria encontrar essa(s) outra(s) pessoa(s) que construiu(construíram) outra vida, outras relações, outros sonhos. Não queria fazer questões que escavam e cavam a existência do outro eu, só queria olhar em seus olhos e dizer: me conta tua história, nega.

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