segunda-feira, agosto 29, 2011

Para além do T(r)emor.

Depois de um olhar inesperado surge-me o convite tentador. Nostálgico, um resgaste puro no contemplar. Meus primeiros passos nesses instantes ansiavam pelo contato íntimo com o chão, eles cobiçavam sentir a acomodação da pele com o terreno. Num instante eu me encontrava no alto, sem medo, sem t(r)emor. Percebi a real intenção do meu corpo, era visível e invisível o palpitar. De súbito senti um desejo incontrolável em sentir-me parte daquela árvore, não queria retirar dela o que vejo de mim, e sim sentir ela em mim. Os tons rosas avermelhados me cegaram com o reflexo do sol que batia em seus frutos. Alucinei. Em uma atitude delicada e instintiva me lancei ao fruto apenas com os lábios. Macio, doce, quente, azedo, suave, delicado, sussurrado. Ao olhar para minhas mãos vermelhas e meus pés descalços, compreendi que nesse dia um tanto em mim se movera com um contorno diferente, simplesmente dançou e reverberou para além de mim.


Ashes to Ashes... para encontrar o que me move nesse tempo e espaço.

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