sábado, novembro 23, 2013

o contágio do híbrido


Emergiu um som fúnebre do respirar, ecoando várias mortes de si e exalando um cheiro de vida em transformação no brotar . Na boca uma costura metálica fez possível o sopro inteligível. Nas mãos fios de cobre buscando se atrelar às existências incomuns. Na barriga a placa mãe filtrando as forças intragáveis e indigestas. Nas pernas vários dedos acoplados formando a imagem da dança dos corais submersos.O caminhar escorregado e cego faz tropeçar e encontrar as bordas, usando o tato para sentir os embaraços da trilha. Tem asas nos olhos, podendo ter imagens do mundo como um emaranhado e fazer mergulhos profundos nas esperanças insólitas. Verte sabores diversos de cada poro aberto, propiciando uma deleitar-se infinito. Onde está o sexo? Naquele emaranhado de fios, peças e organismos a figura de sexo a qual conheço é decomposta imediatamente. Cada arrepio na sua pele provoca uma explosão de luzes tão fortes que meus olhos não podem definir formas e me faz mergulhar no desconhecido só me restando os desenhos nas sombras, aflorando as sensações mais profanas. Esse ser-híbrido encontrou as fissuras do meu corpo e me contaminou com alguma doença de liberdade.

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